B A R A N Y I

Disse que estava com sono. Precisava dormir. Logo a bateria ia acabar. Sem dar a entender se era a sua ou a do celular, esperou a resposta dela. “Vamos pra minha casa”. Sorriu com os olhos e com o canto da boca, sem esperar muito em troca. Apesar de ser um dos sorrisos mais belos que já havia enxergado, tratava-os como uma recompensa rara, que merecia ser conquistada com suor… Ou algumas piadas ruins que, juntas, formavam uma piada razoável. 

Chegou. Sentou no sofá. Bocejou. Tamborilou os dedos nas pernas e olhou para o celular (cuja bateria realmente estava chegando ao fim) e constatou: 3h40. Voltou os olhos para ela, depois para o relógio, e já estava sem bateria. Como assim? Assim. A claridade lá fora anunciava que já passava das cinco e meia. 

Sem entender muito bem, se levantou para a despedida. Não iria para casa, mas os cômodos diferentes pediam um até logo. E quando o abraço veio, a pontada no lado esquerdo do estômago também. Depois de muito tempo sem essa sensação, constatou que a colônia de borboletas ainda não havia se mudado, e isso o fez rir. Não sabia se ria de nervoso, de surpresa ou pelo simples fato de não querer sair dali.

Piscou de novo e estava deitado. A cabeça afundada no travesseiro, os braços segurando firme as cobertas. Pensou em mandar um SMS. Se repreendeu. “Mandar o que? ‘oi, estou no seu sofá’. You don’t say?”

Cochilou e já haviam passado quatro horas. Três horas e cinquenta e sete minutos, para ser mais exato. Os três minutos que restavam antes do horário combinado para ambos acordarem, ele passou perto da porta, estudando a melhor maneira de entrar. De uma vez, para acordá-la de maneira recatada? Mandando um SMS? Pegando as chaves dela e saindo para comprar alguma coisa? 

Bateu na porta. 

“e aí. você acorda feliz, hein!” foi a melhor coisa que conseguiu falar. Mas já havia feito pior. Conversou mais. A droga da colônia de borboletas parecia reproduzir Sodoma e Gomorra dentro de sua própria barriga. Olhou para o celular (agora previamente carregado) e era hora de ir embora. Não para ele, mas para o momento. 


Quando a abraçou pela última vez e pressionou com carinho os lábios contra o rosto pequenino dela, riu por dentro. E até agora ainda não sabe o porquê.



life.

(Source: mariebellmoon)


Freela da puta!

Ser jornalista já não é a mais digna das profissões. O estudante precisa ouvir daquele colega publicitário que sua profissão não precisa de diploma e que qualquer um pode fazer aquele trabalho. O jornalista formado precisa lidar com o fato que será pobre, corno e que, no fim, gostará de fazer o que faz. Mas existe algo pior do que as mazelas de ter um editor-chefe ou prazos curtos de entrega: o jornalista freelancer.

Não se engane, estudante que, como eu, acreditou que “viver de freela” é bom. Que paga melhor, dá mais liberdade e menos trabalho. Viver fazendo freela, amigo, é carimbar “prostituta” no seu currículo. Você acha que eu estou exagerando? Atente para as semelhanças e conselhos, antes de entrar nessa achando que vai se dar bem:

1) O contratante (da prostituta ou do freelancer) tem, em suma, um objetivo: te foder. 

2) Dinheiro que vem fácil vai fácil: do mesmo jeito que a puta torra tudo (ou então todas fazem Medicina na PUC), o freelancer gasta o dinheiro antes mesmo de receber. Pelo menos o jornalista tem um motivo: falta de costume. Raridade é ter alguma coisa na carteira.

3) Para ter alguma chance de receber uma nova visita do contratante, você precisa fazer um bom serviço. Foda mal dada não tem replay. E nesse caso, você precisa atender às expectativas de quem tá te pagando e torcer pra não ter ninguém melhor por perto. Nesse caso, uma boa estratégia é queimar aquele estudante foda da tua sala ou aquela ruiva gostosa que atende no flat da Santos com a Campinas. 

4) Faça parecer melhor do que realmente foi. Um pauta de merda e um pau pequeno podem se transformar na capa do New York Times e no Kid Bengala, respectivamente, se você ter em mente que aquela quantia de dinheiro não vai voltar a aparecer de uma só vez por muito tempo. 

5) Networking. Conhecer o dono daquela agência é quase como conhecer um virgem rico e cheio de amigos: se você causar uma boa impressão, mais gente vai querer te foder (e te pagar para fazer isso). Se der sorte, você vira Uma Linda Mulher e ganha um lugar pra fazer ponto fixo. 

E se alguém reclamar que isso não é profissão digna, de uma pessoa de família como você, decore a clássica resposta:

Não faço porque eu gosto. Faço porque preciso.


Eu e a barata

Hoje eu descobri que a minha intuição é mais forte do que eu imaginava. Pouco antes de dormir, em meio a pensamentos sem sentido, tive uma certeza repentina: tem uma barata no meu quarto. Não sabia o porquê de ter pensado isso, mas algo em mim dava como certa a presença de outro ser vivo nas imediações do inferno de 4x4m que eu chamo de meu. 

Acendi a luz e nada. Um simples mosquitinho voando para lá e para cá. Alarme falso. Apago a luz, volto a (tentar) dormir. Nem cinco segundos de olhos fechados, o pensamento vem mais forte: tem uma porra de uma barata no meu quarto. 

Acendi a luz, já rindo da minha própria besteira… E lá estava ela. Sorrindo para mim - não estava, mas sei que estaria se pudesse. 

E, enquanto nos encarávamos quase que em um filme de faroeste, eu estudava minhas duas opções: matá-la de prontidão, lançando rapidamente a primeira coisa que encontrasse à minha frente, ou correr para o mais longe possível e buscar reforços.

Claro que, como um homem corajoso, depois de alguns instantes eu estava na sala, apagando o cigarro do meu pai.

- Pai, tem uma barata no meu quarto.

- Porra, Lucas. Quando você tá com mulher perto tu mata as baratas, né?

- Argumento inválido. Com mulheres por perto é preciso exercer a função de macho alfa, protetor e combatente. E além do mais, a barata é grande e feia. 

- Não vou matar porra de barata nenhuma. Se você quiser, o baygon tá no armário da sala. E não faz muito barulho que tua mãe tá dormindo.

Traído pelo meu mais velho aliado, parti em busca de meu mais mortal (e nojento) inimigo munido até os dentes (uma lata de veneno na mão esquerda e uma Ipanema número 42/43 na mão direita). O confronto foi violento: acertei o chão, a cômoda, a TV e a parede, e ela parecia se desviar como um fugitivo da Matrix desvia dos agentes. Com um golpe final, desferi um lançamento à distância de Ipanema enquanto, desesperadamente, esvaziava a lata do veneno. Tudo que consegui fazer foi ensopar meu chinelo e criar uma parede de tóxico na fenda pela qual a barata fugiu, derrotada, mas com uma boa história pra contar para a família.


marina silva

tauil:

mulher, negra, evangélica, sem reconhecimento popular, sem padrinho político, sem coligação partidária, sem ataques ou difamações, com um minuto e vinte e quatro segundos de propaganda na tv. 19 milhões de votos, quase 20%.

esse foi só o primeiro passo do movimento que tirou marina do fundo do acre e vai colocar essa mulher no planalto central.

aguardem o próximo capítulo.

Via about the weather

out-gayed-myself:

WHYYYYY BRAZIL, WHYYYY?????????!!!!!!!!!!ONE!!1

(Source: rolling-u)



kirp:

so gente de influencia da sociedade

via www.contraditorium.com



I am Jack’s lighter.



carolinabela:

fuckyeahhousemd:

Starring: The Random Opossum.

Random Opossum FTW.



best fucking movie ever.



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